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No Brasil, 54% têm dificuldade em atrair talentos com as competências necessárias 
Michelle Koebke/Pixabay

 Em sua mais recente pesquisa, a consultoria Deloitte ouviu 2.042 executivos C-level de 19 países – 125 do Brasil, para identificar os perfis de líderes necessários à 4ª Revolução Industrial.

Além de chegar a quatro personas dentro do contexto de desenvolvimento da Indústria 4.0 no país, o levantamento apontou que alguns estão progredindo mais do que outros ao entender melhor os desafios atuais nas quatro principais áreas de impacto: sociedade, estratégia, tecnologia e talento.

“Essa quarta revolução industrial é recente. E podemos dizer que, dentro de um conjunto de ações que a compõe, uma delas trata da junção e conexão dos ativos físicos de maneira digital, da Internet das Coisas (IoT), o que resulta em maior produtividade e um retorno melhor para o negócio. O Brasil tem avançado nesse caminho, mas um avanço ainda tímido, centralizado em grandes corporações e isso precisa ser ampliado. Ocorre que os desafios que se colocam hoje para o Brasil são imensos, principalmente no que tange às pessoas. Por isso, a pesquisa foca nos líderes para traçar o atual panorama da Indústria 4.0 no país”, constata Othon Almeida, sócio-líder de Market Development e Talent da Deloitte.

OS 4 PERFIS
A Indústria 4.0 se estende muito além dos limites da tecnologia. Trata-se das formas pelas quais essas tecnologias são reunidas e de como as organizações podem aproveitá-las para impulsionar as operações e o seu desenvolvimento. Nesse sentido, as organizações devem adotar uma visão holística sobre a Quarta Revolução Industrial e a forma como ela vai alterar os negócios.

Para os líderes de negócios acostumados a dados e comunicações lineares tradicionais, a mudança para o acesso em tempo real aos dados e inteligência habilitados pela Indústria 4.0 transforma fundamentalmente o modo como conduzem os negócios.

A integração de informações digitais de várias fontes e locais diferentes pode impulsionar o ato físico de fazer negócios, em um ciclo contínuo. Dessa forma, ao longo da pesquisa, foram identificadas quatro personas para este novo mundo:

Data-driven decisive (Estratégia)
Trabalham para desenvolver estratégias eficazes para suas empresas, em mercados em rápida transformação

Disruption driver (Tecnologia)
Concentram-se mais no uso de tecnologias da 4ª Revolução Industrial para proteger seus negócios do que para fazer investimentos arriscados

Talent Champion (Talentos)
Estão mais à frente na preparação de suas forças de trabalho para o futuro e acreditam que sabem quais são as competências que suas empresas vão precisar.

Social super (Sociedade)
Expressam um compromisso genuíno em melhorar o mundo considerando o alto impacto da Indústria 4.0 na sociedade.

LÍDERES PARA A REVOLUÇÃO
Os resultados da pesquisa comprovam que há ainda um longo caminho a ser percorrido para que o Brasil possa, de fato, participar da Quarta Revolução Industrial. A começar pela formação de profissionais que vão liderar essa mudança.

No Brasil, 54% dos entrevistados afirmaram ter dificuldade em atrair talentos com as competências necessárias, enquanto, no mundo, essa porcentagem cai para 48%.

Outro dado que chama a atenção é que 38% atestam faltar profissionais com conhecimento tecnológico e demais competências necessárias às novas necessidades. No mundo, esse número é de 44%, o que mostra que se trata de uma questão premente.

A questão central é: como está a formação desses profissionais? Segundo apurou a pesquisa, apenas 29% dos entrevistados brasileiros acreditam que o atual sistema educacional preparará suficientemente os indivíduos para que possam atuar nesse cenário. E, quando perguntados sobre o desenvolvimento de seus atuais funcionários, apenas 28% apontaram que os treinarão extensivamente para atender às demandas da indústria 4.0 –, no mundo, esse dado sobe para 43%.

“O impacto começa no ensino formal, que não trata desse tema. Criamos jovens que não estão preparados para viver esse novo mundo que se avizinha. Precisamos de pessoas com capacidade analítica, matemáticos, físicos, engenheiros, enfim, precisaremos de indivíduos em todos os setores que saibam interpretar dados, processem as informações e façam disso um uso eficiente para entregar à sociedade produtos e serviços de melhor qualidade. E a universidade está na ponta disso. Há uma demanda por jovens que estão na universidade por ensino de melhor qualidade nesta direção, mas essa transformação me parece que vai demorar um pouco”, avalia Almeida.

OS IMPACTOS SOCIAIS DA NOVA REVOLUÇÃO
Quando se fala na persona Social Super e retoma-se o conceito de olhar holístico, talvez este seja o que melhor representa o objetivo final dessa Revolução. Sob esse espectro, 80% dos entrevistados indicam que desenvolveram ou alteraram, no último ano, um produto ou serviço para causar um impacto mais positivo na sociedade ou no meio ambiente.Globalmente, esse dado é de 73%.

“Um exemplo de conexão que a Internet das Coisas permite e que deve gerar um impacto positivo na sociedade são as chamadas Cidades Inteligentes, que vemos nascer e, nas próximas décadas, serão realidade. Conexão de elementos que compõem a cidade como um semáforo, um ponto de luz, celulares. Essa conexão está no entorno da sociedade e não se restringe à indústria. Entender esse contexto é fundamental. Não é possível fazer com que essa revolução chegue até as pessoas sem a união de sociedade civil, academia, governos e iniciativa privada. É uma questão de sobrevivência. Não acompanhar essa revolução pode nos levar ao fracasso”, finaliza o executivo.