
Palcos cheios, plenárias lotadas e um público engajado em discutir o futuro do trabalho. Da inteligência artificial ao cuidado com as pessoas, da cultura organizacional à liderança que inspira: cada conversa trouxe reflexões que vão além do evento e apontam novos caminhos para transformar a gestão de pessoas no Brasil.
Confira os principais destaques que a Ticket preparou para você.
🔴 IA, liderança e pessoas no centro: o que marcou o primeiro dia do CONARH 2025
Começamos o CONARH 2025 com energia lá em cima. O São Paulo Expo recebeu mais de 50 mil pessoas em um recorde histórico, mostrando que o futuro do trabalho está no radar de todos. E o primeiro dia já deixou uma certeza: tecnologia, liderança e cultura caminham juntas – sempre com gente no centro.

Preparar hoje os talentos de amanhã
O painel de abertura trouxe uma mensagem clara: a IA já está mudando o jeito de trabalhar e o RH precisa acelerar. Priscila Hernandez (Gol) lembrou que o setor não pode ser apenas operacional, e sim estratégico. Para ela, o verdadeiro impacto acontece quando o RH assume a liderança da transformação, conectando tecnologia, pessoas e negócio em decisões que mudam o jogo. Isso significa olhar além dos processos do dia a dia e se posicionar como agente de inovação dentro das organizações.
Já a Germanuela De Almeida De Abreu (Santander) reforçou que liderar hoje pede vulnerabilidade. Isso significa estar aberto a não ter todas as respostas, mas disposto a aprender, experimentar e até errar junto com as equipes. Segundo ela, é dessa postura que surgem conexões reais e soluções mais criativas. Em tempos de tanta mudança, a vulnerabilidade é também uma forma de gerar confiança e inspirar pessoas a se engajarem em novos caminhos.
Gustavo Brito (Cognita) alertou que não existe atalho para desenvolver pessoas – aprendizado real vem da prática. Cursos prontos e fórmulas genéricas não dão conta de problemas complexos. O líder precisa criar experiências de aprendizagem contínuas, alinhadas ao contexto e aos desafios de cada equipe. Ele destacou ainda que o RH tem papel de preparar o terreno, garantindo estrutura, indicadores e clareza de direção.
“Não adianta construir uma casa pelo teto. Primeiro é preciso preparar o solo: indicadores, estrutura e caminho.” – Gustavo Brito
Transformação digital com propósito
Edney Souza 🧙♂️ trouxe uma reflexão potente: tecnologia por si só não resolve nada se não cuidar das pessoas. A automação pode, sim, reduzir tarefas repetitivas e liberar tempo, mas esse tempo precisa ser usado para o que realmente faz diferença — colaboração, bem-estar e construção de propósito. Caso contrário, o risco é aumentar a pressão e gerar mais burnout.

Ele explicou que a mentalidade digital não se limita a adotar ferramentas. Trata-se de um jeito de pensar sustentado em quatro pilares:
- Experiência do usuário: todo processo precisa ser desenhado a partir da perspectiva de quem vai usar a solução. Isso vale tanto para clientes quanto para colaboradores. Um sistema difícil de operar ou um fluxo burocrático mina a inovação.
- Automação intencional: não é sobre automatizar por automatizar, mas escolher o que deve ser feito por máquinas e o que precisa continuar nas mãos de pessoas. A pergunta que guia é: como liberar energia humana para o que só o humano sabe fazer?
- Dados para decisões: informação isolada não gera impacto. O diferencial é transformar dados em inteligência acionável, ajudando líderes e times de RH a tomar decisões mais rápidas e precisas sobre talentos, engajamento e desempenho.
- Storytelling para engajar: tecnologia sozinha não convence ninguém. O que engaja são histórias que dão sentido à mudança, mostrando o porquê e o para quê de cada inovação. É isso que conecta números a pessoas.
“Quem diferencia o que é genial ou absurdo continua sendo o ser humano.” – Edney Souza
Cultura no coração da estratégia
Anna Leticia Azevedo (Zhoushe), Marly Vidal (Grupo Sabin) e Fabio Kapitanovas (Stone) reforçaram um ponto central: nenhuma transformação acontece sem gente.
Cultura, engajamento e coerência são a base de qualquer decisão estratégica. Sem esse cuidado, mesmo os projetos mais inovadores correm o risco de fracassar.
Anna destacou que toda decisão empresarial precisa considerar o fator humano. Fusões e aquisições, por exemplo, podem ter grande potencial de mercado, mas só dão certo quando culturas se integram de verdade. “As decisões das empresas sempre precisam passar por pessoas”, disse.
Marly trouxe a experiência do Grupo Sabin, que já passou por mais de 30 processos de fusão e aquisição. Ela explicou que o sucesso depende da capacidade de enxergar o capital humano como ativo estratégico. O RH, segundo ela, é quem sustenta essa transição, cuidando para que as equipes se sintam parte da nova realidade.
Já Fabio apontou que, para além de processos, a cultura é o que dá coerência ao negócio. Ele lembrou que, em um mercado acelerado, resultados sustentáveis não vêm apenas de metas bem traçadas, mas da confiança construída no dia a dia. Para ele, a cultura não é acessório, mas motor estratégico.
O painel também trouxe um olhar de futuro: até 2030, devem surgir 170 mil novos postos de trabalho, enquanto 92 mil deixarão de existir. Esse dado reforça o papel do RH em orquestrar a transição, garantindo que pessoas sejam preparadas para o que está por vir e que a cultura da empresa continue sendo o fio condutor da transformação.
“As decisões das empresas sempre precisam passar por pessoas.” – Anna Leticia Azevedo
Do palco à plateia
“Vim ao CONARH para buscar tendências e inovação em gestão de pessoas. Quero levar para o dia a dia formas de potencializar o capital humano e gerar mais valor para o negócio. O maior desafio hoje? Sem dúvida, a liderança. Precisamos que líderes e times estejam alinhados não só no que entregam, mas em como entregam. O formato de entrega faz toda a diferença.” – Ingrid Gangs, gerente de RH e BP da Localiza Seminovos
🔴 Mais conexões, mais debates, mais impacto: veja os destaques do segundo dia do CONARH
O segundo dia do CONARH manteve a energia em alta e mostrou por que esta edição já é histórica. O público seguiu crescendo, os corredores ficaram cheios de networking e os palcos de conversas intensas. A inteligência artificial seguiu firme como protagonista, mas novos temas entraram em cena: do cuidado com corpo e mente à urgência de processos seletivos mais diversos e inclusivos.

Inteligência Artificial e Humana: um casamento perfeito?
Esse painel não foi sobre respostas prontas. Foi sobre provocar. Natalia Amancio (AI Go-to-Market Executive da Google) explicou que o título do encontro é, na verdade, uma pergunta. Afinal, quando falamos de futuro do trabalho, não existem certezas: o que existe são diferentes visões e muitos questionamentos.
Gustavo Torrente (Head de Educação Corporativa da Alura+FIAP para Empresas) trouxe a divisão de forças: “A máquina faz escala e automação. Nós, humanos, cuidamos do significado e do contexto.” Para ele, esse é o limite claro entre tecnologia e gente — e também o ponto de equilíbrio que deve guiar empresas.
Alex Dantas (Founder e CEO da Circuit Launch Inc.) foi além, projetando um futuro próximo com a chegada da AGI (Inteligência Artificial Geral). Segundo ele, não é sobre perder empregos, mas sobre mudar radicalmente como fazemos as coisas: “Todos vamos deixar de fazer o que fazemos, do modo como fazemos. A questão é se estaremos preparados para essa mudança e ainda seremos relevantes.”
O consenso do painel foi que a IA é inevitável e vai seguir avançando. Mas, no centro, continuam as pessoas — e cabe a elas garantir governança, desenvolver inteligência emocional e manter a capacidade de aprendizado contínuo.
“Se hoje a IA, com suas limitações, já assusta, imagine o que será no futuro. Casamento perfeito? Talvez. Mas o divórcio também pode vir.” – Alex Dantas
Entre quedas e conquistas: estratégias para incluir o cuidado com o corpo e a mente na rotina profissional
A Ticket levou ao CONARH um encontro inspirador entre Vanessa Lima, diretora comercial da empresa, e a judoca Bia Souza, campeã olímpica e atleta do Esporte Clube Pinheiros . O objetivo foi mostrar como o esporte pode ser um aliado para cuidar da mente, do corpo e da forma como trabalhamos em equipe.

Vanessa destacou que, no ritmo acelerado das empresas, a pressão por resultados pode afastar o que realmente importa: equilíbrio e bem-estar. Para ela, o esporte ensina lições valiosas de disciplina, preparo e resiliência, aplicáveis tanto no tatame quanto no mundo corporativo.
Bia contou como o judô mudou sua vida desde a infância, trazendo foco e disciplina. Ela lembrou sua experiência em Paris, quando enfrentou adversárias igualmente fortes, e o momento difícil em que perdeu a avó pouco antes da Olimpíada. A dor virou motivação e cada treino, golpe e conquista foram dedicados a ela.

O judô também mostrou que ninguém vence sozinho. Em competições por equipes, Bia percebeu que a vitória de uma é construída pelo esforço de todas. Vanessa conectou essa experiência ao trabalho: equipes de alta performance se destacam quando há confiança e entrega coletiva. “No esporte ou no trabalho, o que faz a diferença é a capacidade de atuar em conjunto. Quando cada pessoa dá o seu melhor, a soma vai muito além do resultado individual.”
“Ganhar pela equipe, mesmo esgotada, mostrou que cada uma é um elo indispensável. A vitória de uma é a vitória de todas.” – Bia Souza
Atração de talentos: como utilizar a tecnologia para encontrar as pessoas certas
O painel reuniu Noah Scheffel 🏳️⚧️ (Tree Diversidade), Gisele Gibson (Invillia/Air Company) e Ana Ferrarezi (JDE Peets) para discutir como a tecnologia pode apoiar a atração de talentos em um cenário de diversidade de perfis e déficit de profissionais de TI no Brasil. O desafio, segundo Noah, começa na base: pensar além dos grandes centros e das ferramentas tradicionais para que mais pessoas possam ser encontradas.
Gisele trouxe a realidade da disputa por desenvolvedores altamente qualificados. Para ela, contratar errado ou demorar demais compromete diretamente os resultados do negócio. A solução encontrada pela sua empresa foi adotar entrevistas com inteligência artificial, que já reduziram em 44% o tempo de contratação e economizaram mais de 7.500 horas extras de recrutadores, sem perder qualidade na experiência do candidato.
Ana reforçou que inovação não pode significar exclusão. Muitas fábricas ainda recebem currículos em papel, e há trabalhadores que não estão conectados às plataformas digitais. Para ela, é papel do RH garantir que essas pessoas também sejam vistas, conectando processos tecnológicos com práticas inclusivas.
O consenso entre os três é que não existe contratação de qualidade sem equilíbrio entre eficiência digital e sensibilidade humana. Empresas que conseguirem unir velocidade, inclusão e autenticidade estarão mais preparadas para atrair talentos diversos e fortalecer sua marca empregadora.
“A tecnologia nos dá alcance e eficiência, mas o olhar humano continua indispensável para validar e construir relações de confiança.” – Gisele Gibson
Do palco à plateia
“O grande aprendizado de hoje foi entender que, se não estivermos abertos às mudanças e dispostos a buscar novas formas de trabalhar, vamos ficar para trás. Cabe ao RH ajudar lideranças e equipes a desenvolver essa mentalidade para que as empresas prosperem.” – Bruno, Localiza
🔴 O futuro do trabalho começa hoje. Resumo do último dia de plenárias.
No terceiro dia, a régua subiu ainda mais. Os painéis mostraram que mudar não é escolha, é inevitável, e o RH precisa estar pronto para liderar. Do papel da tecnologia e da mentalidade ágil, ao desafio de se adaptar a diferentes gerações, até as transformações culturais de grandes empresas: cada conversa reforçou que informação só faz sentido quando vira ação.
Tecnologia e agilidade em processos no RH
O painel abriu o último dia com JP Coutinho (autor, palestrante e facilitador de treinamentos), Luciana Nogueira Minev (fundadora e CEO da Singulari Consultoria) e Wescley Fernandes (CIO), discutindo como tecnologia e agilidade estão moldando o futuro do RH.

Luciana destacou que tecnologia não deve ser assunto exclusivo da TI. Segundo ela, a inteligência artificial democratizou o acesso a soluções, permitindo que qualquer profissional crie sistemas e aplicações com linguagem conversacional. O desafio está no letramento digital: muitas pessoas ainda veem tecnologia como complexa, quando, na prática, a chave está em saber conversar, e nisso o RH tem vantagem.
Wescley ampliou o olhar, lembrando que tecnologia não é só algoritmo, mas qualquer criação que melhore a vida das pessoas. Para ele, não há RH sem tecnologia, nem tecnologia sem gente. O recado foi claro: TI deve ser habilitadora, não barreira. O papel do RH, por sua vez, é preparar as pessoas para testar, aprender e aplicar essas soluções de forma estratégica.
JP trouxe a mentalidade ágil para o centro do debate. Ele ressaltou que ser ágil não é adotar métodos ou ferramentas, mas mudar comportamento: colaborar, ter conversas difíceis, reaprender e colocar as pessoas no processo. Segundo ele, muitas empresas ainda confundem comando e controle com agilidade, mas o RH ágil é aquele que constrói soluções para e com as pessoas.
“Muitas vezes vemos comando e controle disfarçados de agilidade. Mas o RH ágil constrói soluções para as pessoas e com as pessoas.” – JP Coutinho
Cultura organizacional como estratégia: o papel do RH na linha de frente da transformação
Tatiana Romero (Ticket) e Tatyana Montenegro (Itaú Unibanco) dividiram o palco para mostrar que transformação cultural não é projeto paralelo: é parte da estratégia de negócio. Ambas reforçaram que cultura precisa estar no centro das discussões, lado a lado com dados e resultados, porque nenhuma mudança se sustenta sem pessoas engajadas.

No Itaú, o processo começou pela alta liderança. A primeira etapa foi capacitar o comitê executivo e, a partir daí, desdobrar para gestores e equipes. A lógica foi simples: não existe transformação consistente sem líderes preparados para inspirar. Já na Ticket, o movimento começou com diagnóstico profundo, envolvendo lideranças e colaboradores em escuta ativa. A devolutiva empoderou gestores a se apropriarem da mudança em suas áreas, criando rituais e reconhecimentos alinhados à nova cultura.
As duas destacaram que transformação cultural não é linear nem confortável. Há avanços e resistências, mas é papel do RH liderar esse processo com coragem. No Itaú, a gestão da mudança inclui comunicação constante, símbolos e métricas de aderência. Na Ticket, o processo vem sendo reforçado por embaixadores da cultura e práticas de reconhecimento, como os Ticket Lovers.

O recado final foi de realismo e confiança. A cultura que trouxe as empresas até aqui não é, necessariamente, a que vai levá-las adiante. É preciso desapegar do que não faz mais sentido e criar espaço para o novo. Segundo as executivas, a liderança é protagonista dessa virada — porque é dela o papel de dar consistência e garantir que a transformação cultural não se perca no caminho.
“Transformar não é fácil. Mudança não é confortável, mas é preciso coragem para fazer diferente — e o RH deve ser protagonista desse processo.” – Tatiana Romero
Do palco à plateia
“O grande recado é que precisamos estimular os colaboradores a pensarem diferente. Mas, para isso, é essencial dar espaço: espaço para errar, refletir, trazer ideias.” – Marina Crispin, coordenadora de gestão de pessoas da Eilos Credit Hoss
Três dias, dezenas de palestrantes, milhares de conexões e uma certeza: o futuro do trabalho já está acontecendo — e o RH é o protagonista dessa mudança.
Cabe a nós transformar os aprendizados em ação, colocando tecnologia, cultura e pessoas lado a lado.
Até o próximo CONARH! ❤️
